domingo, 29 de julho de 2012

UFABC e Unifesp decidem continuar com paralisação


As duas instituições federais de Ensino Superior da região decidiram na quinta-feira (26) pela continuidade da greve de professores, que já dura 73 dias. A maior parte dos cerca de 200 docentes da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) e dos 63 da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que participaram das assembleias locais rejeitou a proposta apresentada pelo governo na terça-feira. Os educadores consideram que o documento não atende a principal reivindicação da categoria: a reestruturação da carreira.
As duas instituições da região somam 630 professores paralisados e 12 mil estudantes sem aula.
A assembleia de docentes da UFABC contou com a presença do reitor da instituição. Hélio Waldman foi um dos 16 professores que se manifestaram contrários à continuidade da greve por entender que a reestruturação da carreira é tema complexo, que deve ser discutido durante o período letivo. Waldman ressaltou que a paralisação é um direito da categoria, mas vem trazendo prejuízos para alunos e professores.
O reitor, no entanto, reconhece que o plano de carreira dos docentes federais tem problemas conceituais, mas acredita que a discussão acerca das melhorias deve ser feita de forma individual, tendo em vista a característica heterogênea das universidades. "Não vejo problema em discutir plano de carreira por mais de um ano."
A maior parte dos grevistas considera que a proposta traz apenas dois progressos: a diminuição de 17 para 13 níveis salariais e a incorporação do professor titular, que corresponde ao topo da carreira docente.
Há receio, entretanto, de que as melhorias possam ser modificadas nos GTs (Grupos de Trabalho) propostos pelo governo, explica o presidente da Adufabc (Associação dos Docentes da UFABC), Armando Caputi. "Aceitar os GTs é assinar cheque em branco, porque o governo terá maioria nesses grupos que têm natureza deliberativa."
Apesar do projeto aumentar os recursos disponíveis, de R$ 3,9 bilhões para R$ 4,2 bilhões em três anos, e promover alguns ajustes na tabela, ainda há descontentamento, observa a presidente da Adunifesp (Associação dos Docentes da Unifesp), Virgínia Junqueira. "Pela proposta, o salário inicial do professor doutor na universidade federal em dedicação exclusiva em 2015 será de R$ 8.639, sendo que um docente da universidade estadual ganha atualmente R$ 8.715."
Outro ponto que não está de acordo com o proposto pelo Andes (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) é a variação salarial entre os níveis remuneratórios. Enquanto o sindicato reivindica 5%, na proposta do governo o índice varia de 1% a 12%, diz Virgínia.
Estão em greve 58 das 59 universidades federais do País e até agora apenas a Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) votou pelo fim da greve. A próxima reunião entre Andes e governo está marcada para o dia 1º, às 21h.
Terreno para campus em Mauá passa por avaliação ambiental
A área cotada para receber o campus da UFABC (Universidade Federal do ABC) em Mauá, no Parque São Vicente, e que pertence ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), passa por estudo ambiental. Segundo o reitor, Hélio Waldman, o resultado da análise deve ficar pronto dentro de um mês.
A empresa de consultoria Descartes, contratada pela instituição, começou a avaliar o terreno em abril. 
Segundo Waldman, após liberação da área, o próximo passo será definir a compra do terreno de 130 mil m², reavaliado pela Caixa Econômica Federal em R$ 42,6 milhões - o pedido inicial era de R$ 50,2 milhões. "Se o MEC (Ministério da Educação) não liberar o dinheiro, vamos levar esta questão para o Conselho Universitário."
O imbróglio para construção do campus em Mauá se arrasta desde 2010. O reitor explica que a demora se deve ao fato de haver prioridade na conclusão dos projetos iniciais dos campi Santo André e São Bernardo.
Fonte: Diário do Grande ABC

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